Extralite – Visita

Na mesma ocasião em que visitamos a fábrica da Carbon-ti, nos deslocamos até a cidade de Lodi para conhecer a Extralite. Considerada a precursora do culto às peças leves, a confiança, o orgulho italiano e o fino acabamento são visíveis nas partes produzidas pela empresa.

Já pelas direções geográficas recebidas até a “Via dei Boschi”, imaginamos um local de acesso restrito aos curiosos e amantes das bikes (assim como já presenciamos na visita à Tune em Buggingen – Alemanha). O caminho formado por sinuosas estradas de pista simples e vistas de tirar o fôlego lembra as vilas históricas normalmente rasgadas pelo pelotão de alguma grande volta ciclística. Em certo ponto a ausência de residências, somada à fina chuva do amanhecer italiano, nos fez questionar até a eficácia do próprio GPS. Após mais 1 hora sem mudanças de cenário, entramos na área de San Colombano Al Lambro, e conforme as instruções sabíamos (ou esperávamos) estar perto do local desejado.

Entrando na rua da Extralite (a tal Via dei Boschi), procuramos atentamente por qualquer indicação de uma empresa de componentes de bicicleta: um carro repleto de adesivos, uma van com racks, ou simplesmente alguma edificação com bicicletas à porta. Com a ausência de sinais, percorremos toda a extensão da rua algumas vezes, para enfim visualizar uma pequena placa que reacendeu a esperança: Studio Riva. Assim é conhecido o estudio do precursor WW, Sergio Riva. Chegamos !

Nosso encontro agendado para as 9 horas da manhã (aparentemente cedo para os padrões locais) comprovou a pontualidade alemã (nossa), e a incredulidade italiana (deles), onde encontramos os computadores ainda desligados. Após cordiais apresentações, escutamos por algumas horas histórias que remetem à criação do mountain bike, e o importante papel da Extralite no desenvolvimento dos primeiros produtos leves disponíveis ao publico.

Sergio Riva, um apaixonado por bicicletas e seus componentes, foi o fundador da Extralite. Uma figura mítica e precursora das peças de alta qualidade, sua contribuição pode ser comparada com a de Tom Ritchey, Ned Overend ou Gary Fischer. Ele nos explicou todo o processo da empresa, desde o desenvolvimento de novos produtos até a fase de montagem final.

As estantes repletas de protótipos trazem uma centena de histórias interessantes a respeito dos muitos projetos. Os que deram certo, e os que nunca saíram do papel. Algumas peças pudemos identificar facilmente, por serem parte do nosso dia-a-dia. Outras, projetos que gostaríamos que tivessem seguido em frente. Enfim, uma centena de idéias e invenções impressionantes.

Desde o início da visita, procurávamos com o canto dos olhos onde estariam escondidas as máquinas que produzem as peças, já vistas em muitas outras fábricas. Para nossa surpresa, descobrimos que as peças não são produzidas dentro da Extralite. Com a grande quantidade de empresas especializadas na Itália, a empresa optou por terceirizar toda a produção, ficando apenas com a montagem final – motivo este da cobertura fotográfica reduzida.

Mesmo assim a visita foi marcante. Revivemos as sensações dos anos almejando as diferentes peças da marca – desde os famosos v-brakes, nos tempos de moleques, até os mais novos cubos Hyperhear e Hyperfront. Fica aqui, então, o nosso agradecimento a esse gênio da engenharia, que dedicou grande parte da sua vida para criar peças de qualidade – sem esquecer que cada grama conta.

Publicado por Rafael Metzger – Editor chefe do WW Brasil